Monday, May 22, 2006

BALADA DO ENFORCADO


Foi num dia de enorme solidão,
De céu cinzento e intensa chuva fina,
Que o suicida, com dor no coração,
Nessa hora que o destino determina,
Foi vencido por grande depressão
E, chorando, cumpriu a sua sina.
Morreu com o pescoço estrangulado:
Foi solitária a morte do enforcado.

Dominado por ânsia dolorida,
Afogado no mar da decadência,
Esse jovem, cansado desta vida,
Deu a si esta mórbida incumbência:
A de ter a garganta comprimida
Pela corda e deixar esta existência.
Foi amarrada a corda com cuidado:
Foi solitária a morte do enforcado.

Nesse instante fatal e depressivo
Em que a alma estava em um profundo poço
Foi que ocorreu o fato conclusivo:
O cadáver co’a corda no pescoço!
Pendurado e ostentando olhar esquivo
Concluiu seu suicídio o triste moço.
Triste cena, a do corpo pendurado:
Foi solitária a morte do enforcado.

E depois desse hostil falecimento,
Pelos vermes o morto é devorado;
Ninguém presenciou seu sofrimento:
Foi solitária a morte do enforcado.

2 comments:

Ismael Carlos said...

mesmo que você esteja rodeado por milhares de pessoas olhando sua morte, a morte é sempre solitária.
gostei da poesia

Ismael Carlos said...

mesmo que você esteja rodeado por milhares de pessoas olhando sua morte, a morte é sempre solitária.
gostei da poesia